Precisamos falar sobre o Kevin de Lionel Shriver

Só depois que eu li a última linha do livro “Precisamos falar sobre o Kevin” de Lionel Shriver, que percebi que estava segurando a respiração. Acho que em várias partes fiz isso, difícil era soltar, fechar o livro e não ficar pensando nele e o mesmo aconteceu quando acabou.

A história de Eva (e sim, a história é da Eva), contada em primeira pessoa em formato de cartas para o marido — única pessoa capaz de entender o que Eva passa — começa no momento presente de sua vida: seu filho Kevin cumpre pena em uma casa de correção para menores após matar 11 pessoas.

Na solidão de sua nova realidade depois do escândalo, ela encontra nas cartas para Franklin, uma terapia e descreve todo o ciclo da história desde quando se conheceram, sua bem sucedida vida profissional como autora de guias de viagem, a liberdade de ir e vir, a vida que tinham sem filhos. Mas Franklin queria mais, Eva não.

Mesmo durante esse impasse, ela engravida de Kevin. A gestação e o nascimento não foram, nem de longe, como ela imaginou. Kevin não era uma criança como as outras e a cada movimento dele de recusa dos carinhos e atenção da mãe, Eva fazia o mesmo movimento e vice-versa.

Vemos Kevin crescer e Eva disposta a cumprir seu papel maternal, mesmo que mecanicamente até o nascimento de Célia, com quem ela julga ter uma relação realmente verdadeira. Uma criança totalmente o oposto de Kevin.

E assim vamos o desenrolar do dia a dia dessa família, o papel do pai que não consegue enxergar sinais. A mãe que acaba se vendo sozinha, julgada e muitas vezes sem saber como agir diante das atitudes cruéis do filho.

Ao passar dos capítulos, Eva introduz novas informações que vão preenchendo as lacunas, revelando sentimentos, situações e ações que fecham o ciclo e dão um sentido surpreendente à trajetória dessa família e sustenta o suspense até o final e quando digo final, é final mesmo.

O que faz ao mesmo tempo termos uma vontade de não parar de ler, nos deparamos com uma história que não dá pra ser lida assim. Precisamos de tempo para absorver. A autora construiu personagens tão intensos e humanos que nos coloca de frente às mais diversas sensações e emoções. Aliás, o livro inteiro é extremamente emocional, não há um só capítulo que terminamos com um certo alívio.

Precisamos falar sobre o Kevin se tornou, sem dúvida alguma, um dos meus livros preferidos. A escrita de Lionel, construída repleta de comparações e analogias sustenta e intensifica as sensações que suas palavras provocam em nós.

A maneira em que toca em um assunto tão delicado, nos coloca no lugar além de meros expectadores, sentimo-nos, de alguma forma, impelidos a intervir no que virá, como numa tentativa desesperada de dar um final diferente.

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Sobre o filme

Claro que, depois de ler o livro e ter gostado tanto, parti para o filme (que eu não sabia que tinha). Só o cartaz me fez reviver os sentimentos do livro e queria muito saber como eles iriam retratar todos aqueles sentimentos de Eva.

Bem, sim, o filme é ótimo! Achei a adaptação realmente excelente, mesmo já tendo o livro, fiquei apreensiva e ansiosa por cada nova cena que se desenrolaria. Mas, justamente por ter lido o livro ele me causou essas reações e eu conseguia sentir e entender cada escolha feita para passar a história de uma linguagem a outra.

Meu marido assistiu comigo e por diversas vezes pedia para explicar o porquê de algumas coisas. Mesmo sendo o que geralmente acontece em uma adaptação, sentimos mais essa necessidade de conhecer a história do livro para entender o filme em Precisamos falar sobre o Kevin.

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