Harry Potter de JK Rowling

A primeira vez que peguei um livro do Harry Potter nas mãos eu tinha 15 anos e era emprestado de uma vizinha. Eu amava ler e por isso foi muito rápida a leitura e a paixão por aquela história tão surpreendentemente maravilhosa.

Nos anos que se passaram, eu li mais alguns livros da saga, coisa bem espaçada de um para o outro e também vi os primeiros filmes.

A minha vida tomou novos rumos, me mudei, comecei a estudar para o vestibular, comecei a trabalhar e isso tudo acabou dando uma pausa maior nas leituras e acabei deixando Harry Potter de lado e não terminando nem de ler e nem de ver os filmes da saga.

Mas a vida é mesmo um linda caixinha de surpresas, eu tive uma filha que ama ler, e assim que senti que ela poderia se interessar presenteei com o primeiro livro Harry Potter e a Pedra Filosofal. Não deu outra, ela se apaixonou pela história e eu me senti convidada novamente a entrar em contato com ela.

Então recomecei a saga, relendo os livros que já tinha lido, mas agora com 32 anos, e posso dizer que é como se eu estivesse lendo tudo pela primeira vez.

O olhar que tenho hoje, mais de 15 anos após ter o primeiro contato com a história é totalmente diferente. Vivi muita coisa, amadureci, tive duas filhas, já vi bastante coisa para que meu modo de ver a história fosse completamente novo.

Impressões de cada livro

Vou deixar uma breve impressão pessoal de cada livro sem spoilers:

Harry Potter e a Pedra Filosofal: o primeiro e menor livro da saga nos introduz na história de Harry Potter, por isso, é um livro com detalhes que fala muito dos conceitos e da maneira em que as coisas funcionam no mundo da magia. É pra mim, o livro mais leve de se ler, mas nem por isso menos profundo em seus significados.

“(…) Não faz bem viver sonhando e se esquecer de viver, lembre-se.”

Ele carrega em si uma grande responsabilidade que é a de abrir as portas da histórias pra gente e faz isso com muita maestria. Nesta minha releitura eu lembrei de trechos que carregava comigo há anos e não lembrava necessariamente que as havia lido neste livro.

Harry Potter e a Câmara Secreta: este foi o livro que eu entendi que a história seria muito maior e mais profunda. No segundo livro, os perigos se tornam maiores e já conseguimos fazer algumas previsões do rumo que a história vai tomar.

“São nossas escolhas, mais do que nossas capacidades que mostram quem realmente somos.”

A história vai ficando mais densa e mais elementos são inseridos para dar o destino final. Vemos ainda mais a força do amor e da amizade na vida do Harry.

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban: talvez a maior lição desse livro é não julgar as aparências, elas sempre enganam e o que somos teimosos em relação a isso.

“A felicidade pode ser encontrada mesmos nos tempos mais escuros se apenas um se lembrar de acender a luz.”

No terceiro livro conhecemos personagens que fazem história na saga e que guardamos com todo carinho. É também ali que vemos a força que nossa mente e nossas emoções possuem.

Harry Potter e o Cálice de Fogo: Este é o livro que considero o grande divisor de águas na história. As coisas ficam mais reais e palpáveis, e digo de entrarmos ainda mais no mundo da magia e vemos a complexidade dele, como os perigos que surgem.

“É uma coisa estranha… quando se está com medo de alguma coisa e se daria tudo para retardar o tempo, ele tem o mau hábito de correr.”

Foi aí também que percebemos o quanto o Harry tem caráter e que achamos injusto o destino que o aguarda.

Harry Potter e a Ordem da Fênix: No quinto e maior livro da saga, vemos um amadurecimento muito forte da histórias e dos personagens. Isso aconteceu principalmente com o personagem do Harry Potter, acredito que seus sentimentos perante às situações foram mais detalhados, nos dando a sensação de mais proximidade e conhecimento dele.

“O mundo não se divide em pessoas boas e más. Todos temos luz e trevas dentro de nós, o que importa é o lado o qual decidimos agir, isso é que importa.”

Desde o começo da saga, mas ainda mais forte nesse livro, a mensagem que veio muito é das nossas escolhas, da nossa ação e o quanto cada uma delas impacta em nossas vidas, para o bem ou não.

Harry Potter e o Enigma do Príncipe: Se no livro anterior a gente conhece mais o Harry, neste o mesmo acontece com Dumbledore. Claro que muita coisa ainda fica obscura e que só vamos saber no último livro, mas conseguimos ver um personagem muito maior, complexo e maravilhoso.

“É o desconhecido que receamos quando olhamos a morte e a escuridão, nada mais.”

Foi neste livro que tive a nítida certeza de que a história de Harry Potter realmente fala é sobre a vida, sobre o amor, sobre amizade, sobre escolhas, tudo isso de uma forma surpreendentemente encantadora e mágica.

Harry Potter e as Relíquias da Morte: Este foi o livro que me deixou sem fôlego do começo ao fim, onde as maiores dúvidas e mistérios que carregamos desde o primeiro livro foram revelados.

“É claro que está acontecendo na sua mente, Harry, mas por que isso significa que não é real?”

Foi também o livro que me fez apaixonar ainda mais pelo personagem do Dumbledore, onde me encantei pelo que o Harry é e principalmente por cada um dos personagens que o cercou. Chorei bastante pude ficar em paz com o final dado, tudo foi realmente digno do jeito que tinha de ser. Um final em que o amor, em todas as suas nuances, realmente vence.

Harry Potter e a Criança Amaldiçoada de JK. Rowling

Depois de ler os sete livros da saga de Harry Potter, eu não poderia deixar de ler o que chamam de 8° livro, que se chama Harry Potter e a Criança Amaldiçoada.

Na verdade, ele não é um romance, mas sim, o texto de uma peça de teatro criada por Jack Thorne em parceria com John Tiffany e nossa querida J. K. Rowling que estreou nos palcos de Londres em 2016.

No final do sétimo livro, temos um epílogo que mostra Harry e Gina, já casados indo deixar um de seus filhos, Alvo Severo Potter na estação de trem que o levará ao seu primeiro dia de aula em Hogwarts. E este oitavo livro começa justamente neste ponto de partida.

Temos nosso protagonistas com quase 40 anos, com suas vidas bem diferentes do que eram na época de Hogwarts. Agora os três já são pais, possuem seus empregos e muita coisa para lidar, mas mesmo assim encontramos a mesma amizade e lealdade tão marcante em nosso trio Harry, Rony e Hermione.

Mas o mote da história é o primeiro ano de Alvo em Hogwarts e segue com as aventuras dele e de seu melhor amigo, Escórpio Malfoy. Ironicamente, Alvo vai para a Sonserina e o tempo todo busca ser um pouco mais parecido com Harry, carregando com ele várias estigmas sobre o próprio pai.

Enquanto isso, Harry precisa se aproximar do filho, se culpa e tem que lidar com uma possível volta de Voldemort, pressentida por sonhos e pelas dores na cicatriz.

Temos no enredo, a volta do vira-tempo, e a dupla Alvo e Escórpio em viagem ao passado e todas as possibilidades que cada pequena mudança teria no futuro.

Ao final, a gente entende que, apesar da tristeza ou inconformismo que poderíamos ter com algum acontecimento da história como um todo, ela deveria ser exatamente como foi.

Continua sendo um livro cheio de ensinamentos que nos mostra mais uma vez a força do amor, em agora, novas nuances.

Eu sei que há bastante crítica sobre este livro por parte dos fãs e eu os entendo. Quando comecei, senti uma pontadinha no peito, por alguns rumos que a história tomou, demorou um pouquinho para engatar a leitura, afinal, a história é um roteiro de teatro, o que exige de nós, leitores, uma dose extra de criatividade, mas, ao terminar eu realmente posso dizer que vale muito a pena ler, revisitar este mundo mágico em todos os sentidos e conhecer uma nova geração de bruxos.

Achei que, nos mínimos detalhes e com bastante sutileza, os acontecimentos continuaram fiéis à essência dos personagens, o que nos faz rir e curtir uma deliciosa nostalgia.

O destino de cada um deles 19 anos depois do final do último livro não foi de toda surpresa e acredito que só reforçou a opinião que eu tinha sobre Harry Potter: é uma das histórias de amor mais magníficas que já li.

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