Escrita Livre ou Exercícios de Escrita: qual é melhor?

Dia desses uma amiga puxou esse assunto comigo no Instagram e, apesar de sentir muito bem as diferenças e as semelhanças entre a Escrita Livre e os Exercícios de Escrita, acho que nunca falei sobre o assunto e principalmente, na minha relação com cada uma dessas práticas.

É engraçado, porque, apesar das suas muitas similaridades, pra mim, elas parecem despertar sentimentos e comportamentos totalmente contrários.

Quando eu penso nos exercícios de escrita, a sensação que eu tenho é de empolgação. Com a proposta pronta ali na minha frente, minha missão é colocar energia, é pensar ativamente no desafio. É como uma brincadeira que conhecemos as regras e brincamos dentro delas, bem diferente, daquelas que inventamos que tem até um outro ritmo. Eles nos empurram a uma ação.

Claro que, de um exercício de escrita podem surgir muitas coisas. E há exercícios que têm um objetivo mais definido: exercitar a escrita e/ou criatividade, nos tirar da zona de conforto, treinar novos olhares, modos de escrever.

Além, é claro, dos exercícios de escrita terapêutica, por exemplo, focados em autoconhecimento, desenvolvimento pessoal, que ajudam a organizar os pensamentos e ideias, podem abrir o horizonte para algum tema, podem nos ajudar a ver algo que está difícil enxergar e não somente para exercer a criatividade e exercitar a escrita, então tudo vai depender do que você está procurando.

Costumo fazer exercícios de escrita mais voltados ao próprio exercício da escrita em si e para me tirar dos temas que gosto de escrever, como um treino mesmo. A maioria dos livros que tratam de escrita e/ou criatividade, principalmente àqueles que se dedicam a nos ajudar a destravar a prática ou começar o hábito de escrever, trazem exercícios. Mas podemos encontrá-los em materiais específicos, sites, blogs ou podemos criar os nossos próprios.

Temos muitas opções e isso e mais um motivo para qualquer pessoa poder fazer. Mesmo que não trabalhe diretamente com a escrita e nem pretenda, não deixa de ser um exercício criativo que desperta e ajuda a gente a ter um olhar diferente sobre o mundo, é soma!

E a escrita livre?

Pois bem, a escrita livre já me traz um sentimento oposto, ao invés de uma postura ativa, ela requer entrega. É como descansar nas palavras.

Pra mim, no começo, foi um pouco difícil realmente escrever o que vinha à mente, porque eu queria passar as ideias pelo crivo da razão e se você fizer isso, não vai escrever nada. Eu sentia como se alguém, de algum modo, fosse me avaliar ou estivesse me vigiando. Com o passar do tempo e com a prática que fui me soltando aos pouquinhos e foi tudo foi ficando mais espontâneo e mais prazeroso. É só uma questão de tempo e de familiaridade com a escrita mesmo.

E quanto mais livre, melhor, não porque há um progresso a ser alcançado, mas porque, passamos a ver os benefícios dela. Vai chegar um momento em que, se você não sentar e descarregar tudo no papel, vai sentir falta daquilo.

Você pode colocar um tempo ou designar um número de páginas ou linhas para escrever e vai colocar ali tudo o que vier à mente, tudo mesmo! De lista de compras a problemas existenciais. Não precisa fazer sentido algum, não olhe ortografia e nem gramática e não tire a caneta do papel até o final do tempo ou do espaço definido, no mínimo, porque sim, tem dias que você vai precisar escrever mais e está tudo bem.

E justamente por não haver um caminho certo a ser percorrido, não estranhe se um dia, você escrever um texto com sentido claro e no meio disso, escrever um texto, aparentemente sem lógica.

Está tudo bem, é assim mesmo! Você é livre, é você, a caneta o papel, sua mente e seu coração.

Particularmente, eles podem parecer sem lógica, mas não são, as ideias só estão sem coerência. Mesmos esses textos mais estranhos, sempre querem me dizer alguma coisa e pode ser que eu demore um pouco para descobrir ou precise de ajuda pra isso.

Uso muito a escrita livre quando minha cabeça está uma bagunça, quando estou com algum sentimento e não consigo identificar bem o que seja, nos momentos de angústia, tristeza e também de alegria e contentamento, sabe quando o sentimento está à flor da pele? Ou às do nada às vezes, pelo processo terapêutico que ela tem pra mim.

Por exemplo, na época da TPM, aquele período que parece que acumulo um monte de coisas a serem resolvidas e eu nem tenho ideia do que seja, a escrita livre sempre faz parte, tira um peso das costas e quase sempre me traz respostas que eu não estava conseguindo enxergar.

É como ser ouvida, mesmo que, muitas vezes, eu não tenha a mínima ideia do que estou falando. É acalentador.

Mas ela também pode ser direcionada para um objetivo específico, por exemplo, está com uma ideia para escrever uma história, um artigo e precisa organizar ou precisa tirar as ideias da cabeça e dar formas no papel. Geralmente coloco a ideia no topo da página e saio escrevendo o que vier. Tipo um brainstorm só que sozinha. Siga o mesmo processo e vai ver o quanto de ideias surgem, claro que, como em todo brainstorm, elas passarão por análise depois, mas é uma delícia só o fato de tirar aquele bando de ideia que fica indo e voltando da mente.

Como descobrir qual a melhor pra mim?

Não há motivo para precisar escolher! É pra ser bom, leve, livre e prazeroso.

Mas, você só vai saber qual prefere ou escolher quando usar cada uma das práticas quando experimentar. É uma descoberta muito pessoal.

Dê uma chance! A escrita é uma prática barata, fácil, acessível. Independente da sua idade ou profissão, ela sempre vai te ajudar de alguma forma ou de outra ou ainda de formas que você nem consegue perceber de início. Não custa experimentar.

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