Browsing Tag

#cronicasmaternas

Maternidade e Família

Sempre há duas formas de dizer a mesma coisa

Entre as muitas (e muitas) coisas que a minha mãe falava quando a gente era criança, sobre a vida, sobre as relações, tem uma que ando lembrando com uma certa frequência, e com isso eu quero dizer quase todo o tempo depois que tive as meninas.

Quando a gente falava alguma coisa com mais rispidez, ela dizia: “sempre há duas formas de dizer a mesma coisa. Podemos falar com mais carinho, responder com mais calma, alertar com mais empatia.”

Por diversos momentos na vida esse ensinamento da minha mãe me salvou de muitas situações. De brigas desnecessárias, de magoar pessoas. Outras vezes, ele mesmo me fez remoer de arrependimento quando eu não lembrara dele e deixei a raiva tomar conta e desatei a falar a primeira coisa que vinha à mente.

Depois que fui mãe, esse conselho fez ainda mais sentido pra mim. Nessa aventura chamada maternidade, a gente entra um trem, e muitas vezes, com o passar dos dias, o cansaço acumulado, a rotina, acaba nos deixando meio no automático.

A gente esquece que pode dizer as coisas de outro jeito. E precisa ser só na hora de chamar a atenção, mas na hora de dizer que ama, que eles são importantes pra gente e também na hora de passar algum ensinamento que a gente tanto preza.

E aqui eu vou usar o exemplo do “há sempre duas formas de dizer a mesma coisa”. Enquanto escrevia este texto parei para analisar o porquê dessa frase ficar tão marcada na minha mente, e hoje eu sei que foi por dois motivos.

O primeiro é que era uma instrução simples, mas com um valor profundo.

Sempre há duas maneiras de dizer a mesma coisa, ou mais! Claro que, hoje eu entendo que existem muitas e muitas formas de dizer a mesma coisa, mas para que compreendêssemos seu ensinamento naquela idade, ela preferiu simplificar a coisa toda! E essa simplicidade fez com que enraizasse em nossa mente!

Eu só entendi o recado porque ele era simples, direto, prático e fazia um sentido enorme.

O outro foi porque além de falar a minha mãe fazia. Percebia que por mais estressante que fosse a situação ela sempre procurava uma segunda maneira de dizer as coisas. Nem sempre conseguia, ela é humana, mas tentava e isso era marcante em minha mente.

Se sempre há duas maneiras de dizer a mesma coisa, no caso dos filhos, o exemplo seja talvez o melhor deles. Como dizem por aí: a palavra convence, mas o exemplo arrasta.

Que a gente possa lembrar sempre disso! Que há sempre duas maneiras de dizer a mesma coisa, com amor, mais respeito, mais empatia.

Maternidade e Família

A maternidade e todos os seus sentimentos contraditórios

Perto do Dia das Mães esse ano, meu celular foi invadido com centenas de mensagens relacionadas à data. Em uma delas, havia um vídeo em que a pessoa recitava um poema que contava o quanto das mães podem ser contraditórias.

Uma hora falam uma coisa, e já voltam atrás. “É alegria no choro, é carinho na raiva. Jura que nunca mais e no minuto seguinte promete que vai ser pra sempre.” Dizia o texto. A justificativa? “Que filho não vem com manual de instruções e que para conduzir os filhos no mundo é preciso ir aprendendo no caminho.”

Achei engraçado porque vi muito da minha mãe nele, e me vi muito nele também. A maternidade me trouxe uma série de sentimentos contraditórios. A começar por um monte de coisas que eu disse que não faria.

Se numa hora desejo que o tempo voe para que um dia ruim termine logo, em seguida, torço pra passar tudo bem devagarinho para que não cresçam tão rápido.

Se desejo em alguma momento que sejam logo maiores e mais independentes, em outro, se tivesse um único desejo pediria para que fossem crianças pra sempre.

Torço para que durma logo, mas vou lá quantas vezes na cama para verem se estão bem.

Quantas vezes digo que quero ficar sozinha, mas é só a casa ficar em silêncio que fico procurando por elas.

A maternidade me trouxe medos, muitos medos. Trouxe um medo muito grande da morte, mas também me trouxe uma coragem que nem imaginava que tinha para enfrentar a vida.

Trouxe preocupações, mas também trouxe leveza.

Deixou minha vida muito mais complicada, mas como pode, depois das minhas filhas, a vida ficou muito, mas muito mais simples.

A maternidade, ao mesmo tempo que me trouxe novos sonhos e fez valer a pena tudo que foi vivido.

Ao mesmo tempo que me fez uma nova mulher, me faz resgatar tantas coisas da minha vida.

Ser mãe me faz ter tanta saudade do que eu era, mas me fez amar ainda mais quem me tonei.

A maternidade me trouxe muitas dúvidas, diariamente, mas me traz todos os dias inúmeras certezas.

 

Maternidade e Família

A beleza de uma mãe

Uma noite dessas, minha filha caçula foi para a nossa cama. Como de costume, a deixamos terminar de dormir ali. Tinha sido um dia muito cansativo aquele, início de ano letivo, adaptação escolar, trabalho, casa, coisas a resolver e eu estava exausta, mal conseguia manter os olhos abertos para falar com ela. Meu marido pegou água pra ela e ela se deitou perto de mim para dormir.

De repente, sinto umas mãozinhas em meu rosto, tento abrir os olhos para ver o que ela queria quando escuto somente o: mãe, você é tão linda! Eu não consigo descrever a emoção que senti.

Nesse mesmo dia, após deixá-las na escola e correr para resolver algumas coisas na rua, antes de pegá-las na adaptação, eu havia me olhado no espelho. Sobrancelhas sem fazer, olheiras que já não saem mais nem com uma grossa camada de maquiagem. Cabelos sempre presos. O cansaço resultado de uma nova fase que se inicia, cheia de adaptações que estava nos sugando muito.

Mas o que minha filha viu ali? Viu a mãe! Viu o colo que ela sempre tem não importa o quanto ela pese, viu o cheirinho no pescoço quando ela acorda, viu o carinho na cabeça quando vai dormir, viu o cuidado de quem não arreda o pé de perto dela quando precisa passar por alguma situação nova.

Viu quem abriu mão de muitas coisas por ela, quem passa noites em claro quando está doente, quem passa longe, muito longe da perfeição, mas que se esforça para ser um pouquinho melhor a cada dia.

Viu a mulher que a gerou na barriga e no peito. Viu quem faz tudo por ela, que daria sua vida sem nem pensar.

Minha filha não me vê como eu! não enxerga todos os meus defeitos, nem toda minha cobrança. Não vê meu desânimo por muitas vezes não ser a mãe que eu queria ser.

Ela me vê em alma! Ela vê meus esforços, ela vê meus erros, mas vê também toda minha vontade de acertar. Vê minhas muitas limitações, mas vê principalmente que faço tudo que está ao meu alcance.

A minha beleza pra ela está na disponibilidade de amá-la e isso basta pra ela.

Maternidade e Família

Filhas, vocês não sabem, mas…

… todas as noites eu me levanto algumas vezes para verificar como estão dormindo.

… basta um abraço de vocês e tudo passa a fazer sentido.

… um sorriso é capaz de fazer qualquer dor desaparecer.

… eu agradeço várias vezes ao dia por ser mãe.

… eu fico cheirando, abraçando e beijando vocês várias vezes ao dia, porque não sabem o bem que isso me faz.

… não queria que crescessem tão rápido

… o amor que tenho aqui é tão grande, que às vezes acho que não posso carregá-lo.

… depois de vocês, descobri uma força tão grande, que até então, nem imaginava que pudesse existir.

… muitas vezes acho que não mereço tanto.

… vocês me ensinam muito mais do que eu seria capaz de ensinar a vocês.

… por vocês daria minha vida, sem nem pensar um segundo.

… ser mãe foi um susto, mas foi a melhor coisa que poderia ter me acontecido.

Maternidade e Família

Vida a dois: o que muda no casamento depois dos filhos?

Eram quase 23h, sentamos os dois no sofá e nos olhamos por algum tempo. Imaginei o que estaria passando pela cabeça daquele homem que há algum tempo eu dividia a vida. Muita coisa tinha mudado, desde a época que nos conhecemos. Olhando ele assim, me peguei pensando o que estaríamos fazendo naquele momento se não tívessemos o dia que tivemos.

Desde a chegada da nossa filha mais velha, passamos por muitas coisas que jamais pensaríamos passar. Teve momentos que acreditarmos que o amor havia acabado, outros que julgamos de fato que estávamos vivendo com um estranho e aqueles momentos que até chegamos a nos perguntar onde foi que nos perdemos.

Na verdade tínhamos toda razão. Já não éramos mais os mesmos. E o fato do nosso casamento nunca mais ser o mesmo não é necessariamente uma coisa ruim. De fato, a vida é outra agora.

Antes, éramos só nós dois. Não haviam fraldas sujas, noites intermináveis, choro daqui, colo dali. Não havíamos que começar a nos arrumar 2 horas antes de sair, nem que voltar várias vezes em casa porque esquecemos alguma coisa.

O cansaço não estava tão acumulado, não brigávamos porque um pegou  o copo errado e isso desencadeou uma acesso de choro da caçula. Não havia rotina do sono que duram 4 horas.

Sem dúvida nossa relacionamento era diferente. Mas assim como tanta coisa em nossas vidas, nosso relacionamento jamais voltará a ser como era antes. E nem nós!

Sempre vemos tantos casais com um certo pesar sobre isso, mas faz parte da evolução, assim como morar junto jamais será igual namorar. Cada fase tem seus encantos e desencantos. Bate a saudade, eu sei, a única coisa que não podemos é criar uma expectativa de que um dia as coisas voltarão a ser como antes e deixarmos de viver esse presente, que pode ser exaustivo no começo, mas nos faz ver no outro um novo companheiro(a).

E o puerpério?

Se eu tivesse a possibilidade de dar um conselho seria esse: prepare-se para o puerpério. E não sozinha, envolva seu companheiro(a), pai, mãe, vó, tia, irmã, rede de apoio.

De tudo que vivemos na gestação, nada se compara com o momento de irmos pra casa com o filho. De começarmos uma rotina, uma nova vida. Percebo, e foi assim comigo, que este momento é muito delicado e é onde vemos muitos casais acharam que não devem continuar juntos (pesquisas também comprovam isso).

É a fase de adapatção de uma vida totalmente nova e é totalmente imprevisível, nossos hormônios em uma montanha russa, privação do sono, muitos sentimentos novos de uma só vez. É preciso que se entenda o que acontece para que se prepare para isso, todo mundo.

O companheiro, muitas vezes, é o que precisa ter os pés no chão para segurar as pontas, para compreender e principalmente para acolher. E ah, a boa notícia é que passa!

Maternidade/Paternidade: um caminho sem volta

Um filho é uma mudança de vida, de paradigmas, é um caminho de auto-conhecimento sem volta. E quando entramos na estrada, quem está do nosso lado também vive suas experiências pessoais que reflete na vida do casal.

Enfrentamos desafios e são neles que reconhecemos que nosso companheirismo se fortalece. Na hora da fraqueza, da dúvida e do sufoco, é que fortalecemos os laços, cultivamos a empatia. A admiração aumenta, traz qualidades que podem ter passadas despercebidas. E o amor? Vemos que ele pode ser muito mais do que imaginamos.

É nesse momento que reconhecemos, descobrimos e lembramos o porquê de estarmos juntos. Uma hora, não muito longe, as crianças crescem, logo estaremos nós dois com mais tempo novamente. Olharemos para traz e veremos que “de tanto não parar a gente chegou lá, do outro lado da montanha onde tudo começou” e que voltamos mais fortes, mais unidos e mais certos das nossas escolhas.

Maternidade e Família

Por uma maternidade mais leve

Desejo a você uma maternidade mais leve. Não importa se é tentante, gestante ou mãe de filhos pequenos ou já adultos, desejo que possa viver intensamente cada momento, curtir cada dia, um de cada vez.

Desejo a você, que está pensando ou tentando engravidar, que possa tomar a decisão de ser ou não mãe de acordo com os seus princípios, com seus ideias, com amor e carinho, sem pressão da sociedade ou de quem quer que seja. Uma decisão de coração, consciente e responsável.

Desejo a você, mãe que já carrega em seu ventre o filho tão amado, que possa tomar as rédeas da sua gestação com o auxílio da família e de profissionais dedicados a este momento tão mágico e sublime. Que suas decisões possam ser respeitadas, assim como seu corpo e seus sentimentos.

Desejo a você, mãe, que possa exercer sua maternidade de forma leve e respeitosa. Que suas decisões e práticas no dia a dia da criação de seu(s) filho(s) possam ser profundamente respeitados por todos que a rodeiam. Que as boas ideias e conselhos sinceros de quem realmente deseja ajudar, possam chegar até você, mas que sua família tenha total autonomia para educar os filhos com o amor e respeito que carregam dentro de cada um.

Desejo a todas vocês essa maternidade menos cheia de culpa, menos cheia de procedimentos, métodos, datas, regras. Uma maternidade pura,  mais sua, ainda mais feliz.

Desejo a todas vocês mais conquistas, mais momentos em família, luz em suas decisões e escolhas. Uma maternidade simples e intensa, do jeito que escolheu ter!

Maternidade e Família

O tal do positivo

Um dos momentos mais interessantes da maternidade é pegar o resultado do exame de gravidez. Não importa se é o palitinho do exame de farmácia após aquela eternidade dos 5 minutos no xixi, se é o exame de Beta HCG que demora aí, algumas horas ou até dias para dar a tão esperada resposta ou mesmo a espera pelo aparelinho de ultrassom que mostra logo como anda  a gravidez – o momento que antecede a resposta é sempre igual.

Se esse segundo pudesse ser passado em câmera lenta, poderíamos ver muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. Os olhos não param quietos, as mãos tremem e suam, o coração parece que realmente vai sair por algum lugar, as pernas ficam agoniadas, e no estômago parecem ter mais borboletas de quando você beijou sua paixão pela primeira vez.

E ao som desses batimentos que parecem não parar de acelerar você pega o resultado. Hesita. Para e pensa. Deseja uma certa resposta. Talvez dê para o marido, a amiga, a irmã ou mãe olhar e pede pra te falar de uma vez. Desiste, pega o exame de volta. Fecha os olhos, abre um, abre o outro e fecha o primeiro. Respira!

Lembra de quando era criança e tinha que tomar remédio ruim, contava até três e engolia. Tenta a mesma técnica: começa, um…dois…três e recua. Para e desiste! Quando era criança era mais corajosa. Pega na barriga, no coração, na mão de alguém e pronto! Está lá! Seu resultado, seu futuro, sua vida.

Só que aí a coisa muda! Algumas choram outras riem e outras fazem as duas coisas juntas. Umas pulam, outras se ajoelham, umas querem gritar para o mundo ouvir, outras só querem sentir aquela alegria e nada mais. Muita coisa pra pensar, no sexo, no nome, na gravidez, no enxoval, na alimentação, no futuro. São tantas sensações que você nem consegue saber por onde deve começar. Pra quem ligar primeiro, pra quem contar e como contar? Como será que vão reagir, como será que você vai reagir quando esse segundo passar?

Soltando a tecla da câmera lenta, há lágrimas escorrendo pelos olhos agora e um imenso amor crescendo no coração. O tal do exame deu positivo, positivo na gravidez, positivo de alegria, positivo de vida, positivo de mãe.

Maternidade e Família

A mamãe estará aqui…

Se você acordar assustada, ainda recém-nascida, e olhar para os lados tentando reconhecer sua nova casa….não sinta medo, a mamãe estará aqui.

Se quando estiver começando a se equilibrar nos primeiros passos, sentir medo de soltar a mão do sofá, não se preocupe, a mamãe estará aqui.

Se no seu primeiro dia na escolinha, você se sentir insegura para entrar nesse novo mundo, confie, pois a mamãe estará aqui.

Se quando a adolescência chegar, você se sentir sozinha e incompreendida, não esqueça nem por um segundo que a mamãe estará aqui.

Se você se sentir confusa entre dois caminhos e a indecisão te tirar o sono, te tranquiliza, a mamãe estará aqui.

Se alguma tristeza partir seu coração e você não conseguir ver nenhuma saída, não esqueça nunca que a mamãe estará aqui.

Não vou poder garantir que nenhuma dor te atinja e nem escolher seus caminhos. Não vou trilhar por você, as estradas que deve trilhar, nem resolver todos os problemas, muito menos te proteger de tudo que possa te machucar.

Mas independente de qualquer coisa, saiba que sempre, a mamãe sempre estará aqui.