Maternidade e Família

Sempre há duas formas de dizer a mesma coisa

Entre as muitas (e muitas) coisas que a minha mãe falava quando a gente era criança, sobre a vida, sobre as relações, tem uma que ando lembrando com uma certa frequência, e com isso eu quero dizer quase todo o tempo depois que tive as meninas.

Quando a gente falava alguma coisa com mais rispidez, ela dizia: “sempre há duas formas de dizer a mesma coisa. Podemos falar com mais carinho, responder com mais calma, alertar com mais empatia.”

Por diversos momentos na vida esse ensinamento da minha mãe me salvou de muitas situações. De brigas desnecessárias, de magoar pessoas. Outras vezes, ele mesmo me fez remoer de arrependimento quando eu não lembrara dele e deixei a raiva tomar conta e desatei a falar a primeira coisa que vinha à mente.

Depois que fui mãe, esse conselho fez ainda mais sentido pra mim. Nessa aventura chamada maternidade, a gente entra um trem, e muitas vezes, com o passar dos dias, o cansaço acumulado, a rotina, acaba nos deixando meio no automático.

A gente esquece que pode dizer as coisas de outro jeito. E precisa ser só na hora de chamar a atenção, mas na hora de dizer que ama, que eles são importantes pra gente e também na hora de passar algum ensinamento que a gente tanto preza.

E aqui eu vou usar o exemplo do “há sempre duas formas de dizer a mesma coisa”. Enquanto escrevia este texto parei para analisar o porquê dessa frase ficar tão marcada na minha mente, e hoje eu sei que foi por dois motivos.

O primeiro é que era uma instrução simples, mas com um valor profundo.

Sempre há duas maneiras de dizer a mesma coisa, ou mais! Claro que, hoje eu entendo que existem muitas e muitas formas de dizer a mesma coisa, mas para que compreendêssemos seu ensinamento naquela idade, ela preferiu simplificar a coisa toda! E essa simplicidade fez com que enraizasse em nossa mente!

Eu só entendi o recado porque ele era simples, direto, prático e fazia um sentido enorme.

O outro foi porque além de falar a minha mãe fazia. Percebia que por mais estressante que fosse a situação ela sempre procurava uma segunda maneira de dizer as coisas. Nem sempre conseguia, ela é humana, mas tentava e isso era marcante em minha mente.

Se sempre há duas maneiras de dizer a mesma coisa, no caso dos filhos, o exemplo seja talvez o melhor deles. Como dizem por aí: a palavra convence, mas o exemplo arrasta.

Que a gente possa lembrar sempre disso! Que há sempre duas maneiras de dizer a mesma coisa, com amor, mais respeito, mais empatia.

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