Maternidade

O que fica é o amor

De madrugada minha filha acordou se sentindo mal, correu em nossa cama e nos chamou. Algo que ela comeu não tinha feito bem, fiquei com ela no banheiro, dei um banho e voltamos para a cama.

Mesmo com muito sono, eu não conseguia dormir. Fiquei ali olhando sua respiração, analisando seus dedinhos, seus olhos, cada pedacinho dela, pedindo e emanando todas as boas energias que pude ter naquele momento.

Lembrei de quando era criança e tinha crises feias de laringite. São apenas alguns flashes na mente. Minha mãe correndo comigo, o carro, as coisas passando pela janela, meu pai no volante com cuidado e desespero. Uma coberta que me envolvia, os braços que me protegiam, um colo que me acolhia.

Não lembro, nunca o que vinha depois, sei apenas pelos meus pais. Eram injeções de adrenalina, remédios, procedimentos médicos que nunca ficaram marcados em mim.

Mas me lembro de toda a proteção e a certeza de que nada de ruim iria acontecer, mesmo quando minha respiração estava por um fio. Não tenho lembrança nenhuma de sentir medo. Eu estava com meus anjos, e é isso que os anjos fazem.

Acontece que quando o assunto é criar uma criança, tudo é mais intenso, é maior, os ganhos e os riscos. Não estamos lidando com coisas e sim com vida, uma vida muito preciosa. É claro que, nessa, nossos acertos e principalmente nossos erros serão mais evidenciados.

Não tem aquela história de que, quanto mais alto se voa maior a queda? E melhor a vista também. Criar um filho é exatamente assim. A gente faz o nosso melhor com o que temos e não temos certeza alguma de que estamos acertando.

Vamos corrigindo as coisas pelo caminho, curando nossas próprias feridas, e com toda a bagagem que temos, a boa e a ruim, temos que conduzir esta vida ao mundo, para que ela seja feliz e também dê o máximo de si.

Meus pais têm muitos defeitos, assim como qualquer outra pessoa. Mas possuem tantas qualidades que eu nem saberia dizer todas. Quantas vezes ficamos presos nisso, no que não tivemos, no que gostaríamos que fosse diferente e esquecemos de valorizar tantos momentos, dedicação, doação. Eles fizeram o melhor com o que tinham.

Muitas coisas, desejo e busco fazer diferente com minhas filhas, mas porque aprendi, justamente com eles, que pode ser diferente. Já outras, eu sei que, por mais que deseje, nunca conseguirei ser igual.

O que me basta é apenas me inspirar e torcer para ser, nem que seja um pouquinho, para minhas filhas, como eles foram comigo.

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