Maternidade e Família

Quando nasce uma mãe empreendedora, também nasce uma mulher que sabe a hora de desistir

Todo mundo sabe da minha paixão pelo empreendedorismo. Sabe que foi através dele que consegui conciliar melhor o profissional com o pessoal. Sabe também quanto tempo eu fiquei “cozinhando” os projetos até eles me gerarem renda suficiente para deixar meu emprego.

Por tudo isso e pelo trabalho desenvolvido no Empreender Materno, conheço de perto as delícias e todos os desafios dessa decisão. Esses dias, uma amiga que conheci por causa do empreendedorismo veio me contar que voltou ao mercado de trabalho, mais precisamente para a mesma empresa que um dia ela lutou tanto para deixar.

As contas apertaram, a empresa ainda em processo de amadurecimento não conseguiu segurar os próprios custos e o salário (mínimo) dela. E mínimo aqui nem é referência ao salário mínimo, mas sim, no que ela conseguia tirar para se manter (no mínimo).

Por ter duas crianças ainda bem pequenas, sem familiares por perto e nem rede de apoio, o tempo efetivo de trabalho era um pouco escasso, gerando nela uma certa ansiedade com prazos e todas as demandas.

Mesmo assim, não importava quantas noites perdidas ela dedicava, nenhuma reclamação de cliente. O amor pelos filhos refletia no negócio que era feito com um capricho só. Procurou ajuda naquilo que não fazia bem e nunca se intimidou, sempre buscando aprender mais e mais.

Empresas precisam de um tempo de maturação para darem retorno, com baixo investimento, um pouco mais. O empreendedorismo materno é lindo, buscar uma saída seja para ter mais tempo com os filhos, mais liberdade e autonomia na rotina, para ganhar mais ou para realizar um sonho, é maravilhoso. Mas existem muitas realidades, a vida continua, as contas também e essa minha amiga é um exemplo disso.

Chega a hora de desistir. Ou melhor, como diz ela. Adiar os planos. Redefinir a prioridade, que agora, é garantir que tudo fique em ordem na casa dela novamente.

Ela me contou também que vai continuar com algumas atividades, mas em paralelo. Fez um acordo para trabalhar menos horas e conseguirá manter uma parte da empresa funcionando.

O mais interessante dessa história toda foi que ela me contou, ou melhor, me ensinou que, tudo o que empreendedorismo, a rede de contato que ela teve acesso por causa dele, cada perrengue que ela passou na empresa, as habilidades que precisou adquirir, construíram, junto com a maternidade, uma nova mulher. Mais determinada e empoderada.

A empresa ganhou uma nova funcionária, uma profissional mais preparada para qualquer desafio profissional. A família ganhou uma mãe mais experiente na vida, e a vida ganhou uma mulher que não tem medo de nada, nem mesmo desistir.

Não há nada de errado em desistir de nada, mas temos que saber a hora de dar cada passo. Na verdade, a vontade desistir é muito mais comum do que se imagina, não só no empreendedorismo, mas em várias áreas de nossas vidas. E na maioria dessas vezes, o melhor é de fato, não dar ouvidos a isso.

Porém, cada um sabe onde o calo aperta e não há nada de errado nisso. Quando se fala em mães empreendedoras, até pela força que o movimento tomou, parece que esse é o único caminho, que tudo se resolverá e o que muitas vezes acontece é que se descobre que pode ser o caminho de muita gente, mas pode não ser o nosso. E com a mesma garra que começamos algo, pelos mesmos motivos, temos que desistir. E tá tudo bem tá?

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