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O Conto da Aia (The Handmaid’s Tale) – Margaret Atwood

Bom, conheci o livro O conto da aia (The Handmaid’s Tale) da autora canadense Margaret Atwood, depois que comecei a ver o seriado homônimo lançado este ano, e que aliás foi ganhador de diversos prêmios, fiquei louca para ver como a história era contada no livro na qual havia sido inspirada.

A verdade é que, sempre que vejo um filme ou uma série antes do livro, dou aquela desanimada, mesmo fazendo questão de ler, mas não aconteceu com O conto da aia, quanto mais eu via a série, mais queria ler o livro e vou te contar o porquê.

Mas antes, deixa eu contextualizar sobre o que se trata a obra. A história é um romance distópico que conta a história de Offred uma aia, ou seja, uma serva cuja única finalidade é a de reprodução. Isso mesmo! Sua função – no que fora os Estados Unidos, e agora se chama República de Gilead, um Estado teocrático e totalitário é a de teocrático – é a de gerar filhos para pessoas do alto escalão.

“Vocês são de uma geração de transição, disse Tia Lydia. É muito mais difícil pra vocês. Sabemos os sacrifícios que são esperados de vocês. É duro quando homens as insultam. Para as que vierem depois de vocês, será mais fácil. Elas aceitarão seus deveres de boa vontade com o acordo de seus corações.

Ela não disse: Porque elas não terão lembranças de nenhuma outra maneira.

Ela disse: Porque não vão querer coisas que não podem ter” (pág 143, 144)

Offred não é seu nome real, esse nome nada mais é que uma referência ao comandante que ela serve no momento, então eles pegam o nome dele, que no caso dela é Fred, mais a preposição “de” ficando Offred, ou seja, “de Fred”. Horrível né? Antes do golpe de estado, e dela se tornar propriedade do governo, ela tinha uma vida, um marido e uma filha que ela não sabe o paradeiro.

Divulgação Hulu

Dentre as permissões que elas, as aias têm, estão a de fazer compras uma vez por dia em mercados cujos letreiros foram trocados por desenhos, já que agora as mulheres são proibidas de ler, é quando têm contato, mesmo que superficial com as outras aia.

“Mas isso está errado, ninguém morre por falta de sexo. É por falta de amor que morremos.” (pág 125)

Também há outras classes de mulheres, como as Marthas que fazem o trabalho doméstico, as não-mulheres, aquelas que foram condenadas a trabalhos forçados nas colônias cujo nível de radiação é fatal. Mas nenhuma delas mais possui direitos, nem liberdade, nem mesmo as Esposas, as mulheres dos comandantes.

Neste cenário, Offred narra em primeira pessoa, seu cotidiano, sua história, os acontecimentos, mas também seus pensamentos, sentimentos e sensações.

Em alguns momentos, você perde o fôlego, a autora dança com as palavras e muitas coisas só se encaixam nos capítulos seguintes. É como se você tivesse vendo um grande quebra-cabeça pedacinho por pedacinho e não acreditasse no que a próxima peça te revela.

“Mas deve haver alguma coisa que ele quer de mim. Querer é ter uma fraqueza.” (pág 166)

Ela também usa bastante a ironia, as frases curtas que não precisam ser maiores, porque te trazem tudo o que você precisa saber, reflexões com questões mínimas do dia a dia.

E para nossa alegria, o mesmo acontece com a série e não foi atoa que ela ganhou diversos Emmy. A adaptação para as telas já tinha sido feito uma vez no cinema (eu ainda não assisti, mas está nos planos), mas na série é um outro tempo, e por isso, comparando com o livro, eu não tenho do que reclamar. Ficou sensacional. Conseguiram captar a essência de Offred.

 

Fora isso, a atuação a fotografia, a escolha do elenco está sublime. E para completar, ainda tem a presença da Alexis Bledel nossa terna Rory Gilmore, e confesso que foi um das primeiras coisas que me chamou atenção na série, antes de eu saber do que se tratava.

Porque O conto da aia é uma série que você precisa assistir e um livro que você precisa ler

Não vou mentir pra você! É uma história forte, perturbadora. Tanto na série quanto no livro, foi difícil segurar as lágrimas, aquele sentimento de que não é possível mas sabemos que ela levanta questões importantíssimas para nossa urgente reflexão.

É uma ficção, mas que não deixa de estar baseada em questões atuais, em como as situações em que vivemos hoje podem se tornar catastróficas no futuro.

“Isto é algo com que você pode contar: sempre haverá alianças, deste ou daquele tipo” (pág 157)

Talvez o que mais assusta é como a sociedade chegou lá, foi aos poucos, fazendo pequenas ações, mudanças e golpes e quando as pessoas se deram conta tinham perdido sua liberdade.

“Contexto é tudo.” (pág 174)

É instigante como a autora deixa claro que coisas horríveis podem se tornar costumeiras, é avassalador em algumas passagens que relatam como eles deixaram muita coisa passar sem fazer nada e a gente começa a pensar no que fazemos com as coisas que acontecem conosco, na nossa sociedade, como lidamos com as diferenças, com as crueldade e as injustiças.

Você precisa ler ou ver porque é uma história que vai te devastar, vai te tocar, vai ficar dias com você, mas com certeza vai te mudar.

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1 Comentário

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    Descobertas e Favoritos de Janeiro de 2018 - Bárbara Vitoriano
    31 de janeiro de 2018 at 14:36

    […] Grace: esta série foi baseada em um livro da mesma autora de The Handmaid’s Tale (O conto da aia) que também virou série. Conta basicamente a história de um julgamento em que um […]

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