Cotidiano

Essencial: o poder do menos, porém melhor

Não ter tempo é quase como um mantra para nossa geração. Virou o meu também, por muito tempo. Sempre tive orgulho de ser uma pessoa ocupada, de ter sempre muitos projetos e coisas pra fazer. Não vou dizer que não gostava, muito pelo contrário, sentia que ser assim fazia parte de mim.

De repente me vi tão cheia de coisas para fazer, prazos para cumprir, simplesmente porque eu não sabia mais o que era ter tempo.

Não sei te dizer nem como e nem porque mudanças mais profundas acontecem em nossas vidas. Algumas, bem sei, com certeza, são necessárias quase que por uma questão de sobrevivência. Outras, acredito que em um nível mais avançado, sejam por consciência. E tem aquelas que são por pura sabedoria. Definitivamente não me encaixo na última definição.

Mas, as coisas mudam, ainda bem!

Se pensar com um pouco mais de calma, vejo que muitas coisas foram acontecendo ao longo dos anos, mais precisamente ao longo do último ano para que eu buscasse o “menos”.

A maternidade com certeza foi uma delas. Ela é um encolhedor de tempo. Nossa demanda aumenta em uma proporção nunca vista e ainda sem pausas, sem descanso.

E apesar de ser uma das causas, a maternidade também foi uma das coisas que desencadearam a mudança. Afinal, se tenho de fato menos tempo, nada melhor do que começar a fazer escolhas mais conscientes, com mais calma e clareza.

Quando a gente não para e analisa cada coisa que chega, tudo parece importante. Mas somos um só e nosso tempo é único, finito e limitado.

O fato de ter duas filhas, cuja a infância é efêmera, e pelo que vi até agora passa voando, também ajuda a enxergar as coisas com mais clareza quando precisamos.

Não dá pra fazer tudo, realizar tudo, não ao mesmo tempo, não tudo de uma vez. E digo mais, a realização de muitas coisas não tem muito sentido nem agora e nem nunca. Quantos projetos eu não conseguia largar, por puro apego? Quantas vezes a gente busca algo, mas no fundo não sabemos bem o porquê?

Buscar o essencial é preciso

Ter foco é capaz de fazer mágicas na nossa vida. Não acredita em mim não é? Logo eu que sempre quis fazer tantas coisas, ao mesmo tempo.

Mas acredite, a gente sempre chega em um momento que não sabemos nem como chegamos, nem porque e muito menos quando. As coisas ficam confusas, a ansiedade bate, e vira tudo uma grande confusão.

Os projetos estão rodando, mas sem resultado, a sensação é que você está correndo em uma esteira, te cansa, mas não sai do lugar. O tempo passa, mas nada é feito.

Algumas pessoas vivem bem com isso, outras não. E se você faz parte do grupo do não, faça um teste. Pegue uma coisa, qualquer uma que queira e foque nela, até o final.

Sei como é, a sua mão vai coçar, a cabeça borbulhar de ideias. Anote tudo, não perca nada e continue. Uma enorme sensação de perda de tempo, vai tomar conta de  você. Vai pensar: puxa, mas poderia estar fazendo três coisas ao mesmo tempo.

Mas lembre-se que só é um teste. Termine o que se propôs a fazer e veja o poder do menos e o resultado final melhor.

Quando a gente foca no menos ,tudo vira menos – menos o resultado. Você descobre que investir em uma coisa só aumenta os resultados. E não sou quem está falando isso. Já ouviu falar do Princípio de Pareto? Também conhecido como regra do 80/20? Ele afirma que, para muitos eventos, aproximadamente 80% dos efeitos vêm de 20% das causas.

Ou seja, você não precisa fazer muito, só precisa fazer o que é certo. E isso vale para os negócios, trabalhos, projetos, relações, cotidiano e para a vida.

Então, como buscar o essencial?

Eu sempre ouvi sobre autoconhecimento, como uma coisa distante, difícil, complicada. Uma coisa mais para os gurus da vida do que para nós, meros mortais.

Outra hora eu via como algo utópico, nada prático. Algo que se busca, busca, busca, mas e aí? O que se faz quando se chega ao final desse busca?

Pois bem, demorou para que eu entendesse que é prático sim, e ajuda pra caramba nessa busca pelo foco na vida. Em primeiro lugar, a gente começa a se perceber e ver se é isso mesmo que a gente quer. Se queremos mesmo o menos, se é isso que a gente deseja e quer para a vida.

Porque tudo bem não querer ok?

Em segundo lugar, é o autoconhecimento o mapa, aquele com todos os nossos defeitos, nossas dificuldades, nossos vícios e hábitos ruins. E é preciso muita coragem para olhar para ele de forma limpa, sem arrumar desculpas para tudo.

Olhar e se reconhecer ali, como ser imperfeito, mas em busca de evolução e transformação. Se aceitar tal como é, e aí sim, depois disso, criar mecanismos para melhorar.

E mecanismos também não faltam: pode ser conhecimento, terapias diversas, um amigo que te ajude a construir um novo hábito, lembretes pela casa, grupos de apoio. Tudo é válido, vai depender do que você precisa.

E claro, bastante paciência. Calma! Não vamos mudar da noite para o dia, mas se você quer realmente a mudança, cada passo, cada minuto, vai valer a pena.

Veja também

Sem Comentários

Deixe um comentário