Vida e Cotidiano

Dia da Felicidade e o que eu sei sobre ela

Assim que consegui acessar minha rede social hoje pela manhã, descobri que hoje era o Dia Internacional da Felicidade. Eu sequer imaginava que havia um dia em que se comemora aquela coisa que passamos a vida toda perseguindo, aquela que usamos como pretexto para tantas escolhas, e dentro dessas escolhas, muitas erradas.

E sabe como é, essa tal felicidade parece Midas, sabe qual? Aquele que em tudo que toca vira ouro! Qualquer coisa que se use o pretexto de mostrar o caminho para a felicidade ganha a cena. Ela vende milhões de livros, levam muitos seguidores a seus gurus e talvez tenha feito também você clicar no link para ler este texto.

Eu fiz o mesmo! Coloquei a felicidade no título, mas não sei quase nada sobre ela. Aliás, nem sei porque estou escrevendo sobre isso. Talvez porque as últimas semanas foram estranhas, muitas despedidas, de gente próxima, mas não tão próxima assim. Desse modo, com esse turbilhão de emoções vendo meus amigos se despedirem de seus entes queridos, passei a pensar tanto sobre a vida e o tempo que temos por aqui.

Todo mundo diz que a felicidade está nas pequenas coisas, mas de que adianta a gente saber disso se não temos consciência sobre elas? Se não despertarmos para parar e se deixar sentir. Quantas e quantas vezes a gente passa semanas, meses no automático e precisa acontecer algo pra gente perceber o quanto somos péssimos em usar o tempo. Continuamos vivendo como se não soubéssemos que nossa estadia aqui é passageira.

E foi aí que me lembrei o quanto meu conceito de alcançar a felicidade mudou depois que conheci a realidade de hospitais através da Liga do Bem. Não sei, mas visitar hospitais é único. É diferente de visitar outras instituições, ali tem uma atmosfera de muito sofrimento. E o mais engraçado é que encontramos pessoas, em situações, totalmente alheias à sua vontade claro, felizes, de bem com o mundo, com um sentimento de resignação, de gratidão pela vida que não vemos em muitos de nós.

Nunca esqueço de uma moça que conheci em uma dessas visitas. Após 2 anos de internação com vários problemas, ela me contou que não conseguia ir pra casa porque não havia ninguém para cuidar dela, por isso, a assistente social achou melhor ela continuar ali para ter tratamento e acompanhamento de perto. Dois anos dentro de um hospital, entre agulhas, cirurgias e procedimentos dolorosos e ela sorria e eu não entendia o porque. Eu sentia vergonha de estar ali diante dela. Foi quando ela disse que sentia gratidão porque estava bem, não precisaria mais de cirurgia e contava que todos os dias os pássaros a faziam acordar, ela adorava isso.

Ali eu entendi que felicidade não é algo pronto, não tem receita, não é um presente que cai do céu no seu colo. Felicidade não tem nada a ver com a situação perfeita, mas como escolhemos nos sentir diante dos mais variados momentos que temos durante a vida. Felicidade é uma construção, uma escolha diária, ou melhor, é uma escolha que fazemos a cada segundo. Claro que em alguns desses momentos a felicidade é quase inata, vem mesmo com uma avalanche difícil até de conter, mas há aqueles momentos extremamente difíceis, dolorosos e escolher ser feliz ali, escolher olhar pela situação com paciência, carinho e resignação não é tarefa fácil, mas talvez seja a forma mais legítima de ser feliz.

 

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