Maternidade e Família

As lembranças da infância e a força que mora nelas

Não sei você, mas eu não lembro de muitos episódios da minha infância, mas dos que lembro, os faço com muita clareza, principalmente quando se trata dos sentimentos envolvidos em cada acontecimento.

Percebi que, apesar de minha mente não ter guardado muitos fatos, guardou muito bem cada emoção. E são elas que me levam de voltam até as lembranças e fazem com que eu sinta a força que mora nessas vivências da infância.

Ao contrário do que acontece com muita gente, essas lembranças ficaram mais fortes depois que fiquei adulta, principalmente depois que fui mãe. Depois das minhas filhas, parece que reacendeu uma conexão forte com a minha própria infância.

Me lembro com clareza do caldo de feijão da minha mãe quando eu estava doente, a canção que minha avó cantava quando eu estava triste, assistir TV ou ficar na cama dos meus pais quando eu precisava me refazer emocionalmente, o chá da minha vó quando eu estava cansada, as brincadeiras no quintal com minhas irmãs, as idas ao mercadinho com meu pai.

As lembranças são tão fortes e são uma ferramenta, um instrumento de cura que eu encontrei na vida adulta. Todas às vezes que eu revisito e revivo aquelas memórias, eu me curo, me fortaleço e me encho novamente daquela energia boa.

Claro que as coisas não são como antes, minhas avós não estão mais aqui e quem faz o caldo de feijão hoje sou eu. Mas sempre que eu revivo e refaço e reativo a memória, a lembrança me sinto mais forte e mais curada.

Depois que tive minhas filhas entendi a força que a essas marcas na infância possuem, e faço de tudo para que tenham suas próprias fontes de alegria, coisas simples da vida, mas tão cheias de afeto que são capazes de marcar uma vida inteira.

Mas também, gosto de apresentar as minhas para elas. Ora porque acho que fará bem a elas, ora porque me reabasteço nelas.

Eu sei que elas jamais terão uma infância como a que eu tive, e eu sinto muito por isso. Mas eu entendo que elas vivem em um outro momento, e o que nós pais pudermos fazer para que a infância delas seja repleta dessas lembranças faremos. Porque no fundo não importa a época, mas quanto de genuíno tem nos sentimentos, vivências e relações que elas tiverem agora, para que quando elas forem adultas e precisarem desse arsenal de memórias e lembranças para seguirem seus caminhos, elas sempre terão.

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