Leituras

As cinzas de Altivez de Juliana Feliz

As cinzas de Altivez é um livro muito especial pra mim, o recebi das mãos da própria autora, que mora aqui em Campo Grande, é professora universitária, mestre, jornalista, mãe e uma grande pessoa. Inspiração para quem cruza seu caminho. Tive o prazer de ser sua aluna na faculdade e receber grandes lições do Jornalismo e da vida.

Mas vamos ao que interessa.

Ordália é um mundo a parte. Bem diferente de tudo que conhecemos, mas ao mesmo tempo muito parecido com o que estamos vivendo. É incrível como percebemos quantas semelhanças temos com esse mundo e não nos damos conta. Sua população vive sob o regime da Ordem de Verus, que detém o poder político e econômico e militar sobre o território e a população.

Tudo é regido pelo que diz o Ordalium, o Livro Intocável e todos os ensinamentos são passados desde cedo na família e também na escola. O mais engraçado é que gerações vivem assim.

“- Acho que as leis valem para todos.

-Exceto para os Conselheiros, que criam as leis”

É neste cenário que se passa a primeira parte da aventura de Ariadne Ventura (sim, porque haverá continuação, oba!!), uma menina que, ao completar 19 anos terá seu destino decidido, assim como todos os outros jovens, dependendo do gênero, descendência e claro, dos interesses do sistema.

Mas Aridane é uma menina “diferente”, sensitiva, curiosa e perspicaz, não aceita facilmente o que lhe é imposto e ao tentar descobrir o paradeiro de Corina Sanchez, muda totalmente seu destino, enfrentando perigos e descobrindo mais a fundo como funciona a Ordem.

Indo mais a fundo na trama, conhecemos um pouco mais sobre Ariadne e sua história de vida, a relação com a mãe, que apesar de não concordar muito com as posições da filha, por medo, nunca deixou de apoiá-la.

“- Nada é mais mágico que um livro… – disse Athos encantado com a história.

– No caso desse, nada é mais perigoso que um livro.”

O livro nos transporta para este mundo mágico e de lá não queremos sair até costurarmos todas as pontas que encontramos pelo caminho. Os lugares, o jeito que as coisas funcionam em Ordália faz muito sentido e foi muito bem construído e pensado, porque tem sua importância dentro da trama.

É interessante a maneira em que a autora nos faz pensar e refletir sobre destino, escolhas, papel da mulher, nossa vida em sociedade. E até mesmo sobre a falta de escolhas para muitos. Sobre o valor dos questionamentos e do pensamento crítico, seja em coisas do cotidiano, ou até as grandes que nos afetam de maneira mais abrangente, como sociedade.

“…um livro guardado é um livro sem vida, e ele parecia gritar naquele baú.”

Aprendemos sobre intuição com Ariadne e Sofia, e o quanto essa força interior que todos carregamos pode mudar nossas vidas, mas o quanto nos esquecemos dela.

O livro está maravilhoso, capa dura, tudo feito com muito capricho. Acredito que seja uma história que veio para ficar. Leitura incrível, fluida e que desperta em nós ao mesmo tempo, grandes fantasias e reflexões maiores ainda.

“…a magia está em nós e não nas coisas.”

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