Leituras

A Filha Perdida de Elena Ferrante

Eu vou começar a escrever esta resenha, mas na verdade eu ainda não tenho a mínima ideia do que escrever sobre este livro.

A autora Elena Ferrante (que ninguém sabe quem é, mas isso eu explico daqui a pouco), já estava na minha listinha de livros que queria ler com o título Frantumaglia: os caminhos de uma escritora, mas por um acaso eu conheci primeiro o livro A Filha Perdida.

Na sinopse logo fiquei sabendo que se trata de uma narrativa sobre a maternidade e as consequências que a família pode ter na vida de diferentes gerações de mulheres e logo me interessei. Mas o que eu senti dali pra frente, até agora eu não consegui entender.

“As coisas mais difíceis de falar são as que nós mesmos não conseguimos entender.”

Bem, o livro é o terceiro romance de Elena Ferrante e conta a história de Leda, uma mulher prestes a completar quarenta e oito anos que vive em Florença, é professora universitária e tem duas filhas, Bianca e Marta. Agora crescidas, elas se mudaram para o Canadá, passando a viver com o pai.

E então resolve tirar férias e viajar para uma pequena cidade na costa da Itália, onde conhece Nina e Elena, que a primeira vista parecem ter uma relação de mãe e filha perfeita, como ela nunca teve nem com a própria mãe e nem com as filhas e fica obcecada pelas duas. Desde então, ao desenrolar dos acontecimentos, revisita sua própria história, percebe as feridas abertas, as mágoas, os caminhos que deu para sua vida em relação principalmente à maternidade.

“Mas eu não invento nada, só escuto, o não dito fala mais que o dito.”

Achei forte, daqueles livros que não saem da gente, que traz inúmeras reflexões e questionamentos. O jeito que ela aborda os sentimentos é muito direto e objetivo. Ela desnuda a personagem e conseguimos sentir cada sentimento dela, seja a dor, a inveja, a excitação, o remorso, entre tantos outros.

É uma história que retrata a natureza feminina e fala de assuntos que ainda são tabus, como a relação da mulher com a maternidade e a carreira, como ela quis levar isso. Fala de como nossas ações impactam gerações, de como as palavras marcam, como nossa história de vida é construída de pequenos detalhes. E tudo isso sem papas na língua.

“No fim das contas, precisamos sobretudo de ternura, mesmo que seja fingida.”

Terminei o livro e não consegui entender bem o que senti. Precisei fazer pausas para digerir algumas citações e fatos, as coisas nunca eram o que pareciam ser na primeira vista.

“… uma mãe não é nada além de uma filha que brinca.”

Como eu pensei que só eu estava me sentindo assim em relação ao livro, vi que muitas pessoas se sentem assim com os livros dela.

Aliás, Elena Ferrante é um pseudônimo, ninguém de fato tem a certeza de quem seja a autora. Ela diz, por meio de entrevistas por escrito e intermediadas pela editora que prefere ficar no anonimato para escrever com liberdade, e também para que a recepção de seus livros não seja influenciada por uma imagem pública.

E depois de ter o lido este livro senti totalmente essa liberdade na escrita e entendi perfeitamente o porquê dessa escolha, acho que faria a mesma coisa.

Ah! E há alguns rumores que na verdade seria até mesmo um homem, mas eu tenho que discordar dessa hipótese. Não acho que alguém que não sente na pele o que é ser mulher retrataria tantos detalhes íntimos da natureza feminina.

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1 Comentário

  • Reply
    Descobertas e Favoritos de Março de 2018 - Bárbara Vitoriano
    4 de Abril de 2018 at 12:01

    […] A Filha Perdida: O livro de Elena Ferrante não era o que eu mais queria ler, mas quando comecei não consegui mais parar. É um livro muito interessante que fala principalmente sobre a maternidade, o papel da mulher na sociedade entre outras questões de natureza feminina. Um livro forte, uma leitura reflexiva que me fez querer ler mais e conhecer outros livros da Ferrante. Também já tem post sobre A Filha Perdida aqui no blog. […]

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